quinta-feira, outubro 29, 2009

pensando no que eh normal!


Estive pensando nas coisas que faço e nas coisas que penso. É necessário um certo grau de abstração pra pensar nas coisas que se pensa, mas garanto que é possível.

Eu cheguei à conclusão de que não sei como fui entrar nessa. Ou pior, não sei como entrei e mantenho essa mania já há alguns anos.

Não tenho perfil para isso e a razão é muito simples: eu vejo tudo de uma maneira muito normal.

Mulher que se preze consegue enxergar nuances até em cabeça de alfinete, enquanto eu só consigo enxergar numa cabeça de alfinete simplesmente uma cabeça de alfinete.

Não fico embasbacada com tecnologias absurdas que pitam por aí. Se hoje existem carros que falam ou aparelhos que indicam o caminho pra você mesmo que você esteja em São Jacinto do Barraco Verde, isso não me diz muita coisa. O carro fala? Tudo bem, eu também falo. O carro tem um aparelhinho que não me deixa perdido por aí? Ok, isso já deveria ter sido inventado há tempos.

Vejo computadores de zigalhões de bytes e megahertz, mas são aparelhos que às vezes você tem que abrir para tirar o pó, senão a coisa engasga, esquenta, pifa. Igualzinho acontecia com a vitrola Zilomag que tinha lá em casa décadas atrás.

Mesmo as relações humanas não me assustam mais desde que ainda se via patinete nas ruas. Não vejo nada de mais em casais que resolvem adotar uma namorada ou namorado sobressalente para não cair na mesmice. Não entendo porque as pessoas se horrorizam diante relacionamentos abertos, com amigos que vão para a cama, com fantasias sendo discutidas na mesa do almoço. Não necessariamente eu faça tudo isso, mas acho tudo muito normal quando me vejo em situações assim.

Até crimes assustadores, quando aparecem na TV, não me atordoam. Matou? Que apodreça na cadeia, para não expor aqui idéias mais revolucionárias. Homem-bomba? Que se exploda sozinho. Terrorista? O mundo ainda tem muito a evoluir. Seria estranho se não existissem.

Fazem um barulho danado contra a eutanásia, exemplo que me surgiu agora por conta daquele caso na Itália, e eu não consigo entender como podem querer que a pessoa fique ligada à equipamentos sem chance nenhuma de voltar a viver de maneira natural. Bom, no fundo eu entendo. Como eu já disse, o mundo ainda tem muito a evoluir.

Vejo um mundo com olhos serenos, sem me abalar muito. Isso pode ser muito bom por algum ponto de vista, mas com certeza não é interessante no ponto de vista de uma mulher.

Ou é, mas eu continuo vendo essa questão supostamente interessante com uma normalidade desconcertante.

No fundo sou eu que devo estar ficando velha e chata, o que é algo extremamente normal também.



By Nina Maluf


se quiser ouvir a verdade fique a vontade!

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