
Ah, minhas crianças! Lá vou eu de novo me meter a analisar os acontecimentos cotidianos.
Descobri o que move o mundo. Prepotente eu, não? Não. Não me refiro à inércia e à ausência de obstáculos no vácuo do nosso universo, que permitem ao nosso mundinho seu movimento de rotação e translação. Não é isso. E também, em uma análise menos macro, não me refiro aos sistemas econômicos, políticos, sociais ou religiosos que balizam a demografia mundial.
O que realmente move o mundo é beijo na boca.
Tá bom, tá bom, estou exagerando um pouco. Digamos que beijo na boca mova o mundo para uma certa parcela da população. Assim, de uns 12 a uns 45 anos normalmente. Antes e depois desta faixa etária os interesses são um pouco diversos. Um pouco.mas os beijos estão sempre presentes.
Percebi que tudo na vida dos cidadãos e cidadãs que fazem parte da faixa supra citada, gira em torno de beijo na boca. Vejamos:
Quando estamos na escola, não gostamos de estudar. Não gostamos dos professores e não gostamos de acordar cedo. Mas gostamos de freqüentá-la pois é onde começamos a dar beijo na boca. A hora da saída é a que mais promete.
No colegial, se bem que isso nem existe mais, continuamos sem gostar de estudar, sem gostar dos professores e sem gostar de acordar cedo, mas os beijos na boca acontecem com mais freqüência, e por isso estamos lá todo dia. Inclusive nesta época os beijos na boca acontecem em qualquer horário, seja na entrada, no intervalo ou na saída. Na sala de aula, na cantina, no estacionamento, no... deixa pra lá.
No cursinho não vou nem comentar. A quantidade diária de beijos na boca per capita é algo assombroso.
Na faculdade o negócio já é mais profissional. Nos dois sentidos. Lá até encontramos quem goste de estudar, quem goste dos professores, quem goste de acordar cedo ou dormir tarde, mas se não acontecer beijo na boca todo o resto vai por água abaixo. Os indivíduos pegam dependência, exame, se trancam na biblioteca, é um horror.
Aí vem o mercado de trabalho e os beijos na boca ficam mais técnicos. As pessoas trabalham com afinco, demonstram interesse, querem ser reconhecidos pelo chefe, receber elogios da equipe. Sabem para quê? Para ficar mais fácil de dar beijo na boca de alguém. Óbvio.
Vou nem entrar na questão das "baladas" noturnas. "- Vou sair para dançar"; "Vou sair com uns amigos"; "- Hoje é aniversário da Ju, vou lá dar um abraço nela". Tudo mentira. A perspectiva de dar beijo na boca é que tira as pessoas de casa.
Estou sendo radical? Coisa nenhuma! E não venham me dizer que esse meu pensamento é cheio de subliminaridades, entrelinhas, aquela história que Freud explica e tal. Duvido que Freud dava beijo na boca. Não dava beijo na boca nem escrevia crônicas...
BY Nina Maluf
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