sexta-feira, julho 16, 2010

Nada!


Não, hoje não vou escrever sobre a vida. Nem sobre a morte. Não vou falar do tempo ou do noticiário. Muito menos de mim.

Hoje não quero emoções, nem chistes, nem ironias ou sarcasmos.

Eu nem mesmo iria escrever.

Mas escrevi. Um texto que não vou publicar. Guardei o outro e comecei este daqui. E por quê? Para esconder mesmo. Hoje não quero dar dicas nem deixar nada no ar. Não quero nada.

Acho que nem quero que vocês me leiam.

Não quero publicar. Não quero ser publicada. Não quero que me torne público.

Nem quero ser eu mesmo.

Hoje não quero ser lembrada. Não quero e-mails nem telefonemas. Não quero cartas nem pensamentos positivos

Quero, isso sim, o hiato, o lapso, o vácuo.

Me desculpem, mas não tenho vontade, nem inspiração, nem luz. Quem vem aqui procurar diversão hoje vai encontrar nada. Quem vem procurar entretenimento, hoje vai encontrar sucata. Procurem outros endereços, outras pessoas.

Hoje não quero perguntas e não quero respostas. Não quero sorrisos nem choros. Não quero flores nem exércitos.

Não quero piedade nem reza. Não quero rostos, não quero ofertas, não quero mão.

Hoje nem quero ser misteriosa!

Em próximos textos poderei fazer graça, tirar sarro, pilheriar com tudo e com todos, até comigo, mas neste não. Este texto é velado, é fantasma, é nada.

E termina trágico. De chofre. Pequeno, sem métrica. Como um bom nada não deixa nada. Tem que passar como brisa, sem se deixar perceber.

Hoje não tem texto e não tem autora.

Hoje eu não quero.

By Nina Maluf

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