domingo, junho 27, 2010

escreveu não leu... é semi analfa!!


A comunicação é uma coisa interessante. Nós, por exemplo, eu e você, só estamos nos comunicando agora porque eu sei escrever e você sabe ler. Mesmo que o que eu escreva não seja deveras muito compreensível, e o seu repertório não seja deveras grandes coisas.

Mas isso não tem nada a ver com o que quero dizer. O negócio é que somos diferentes quando escrevemos e quando falamos.

Eu mesmo, por exemplo. Pessoas que me conhecem por aí ficam abismadas quando lêem algum texto meu. As manifestações são sempre as mesmas: “- Puxa, como pode uma pessoa que fala tanta besteira escrever algo que preste?”. Não acho que só falo besteiras, nem acho que as coisas que escrevo prestem para algo, mas é isso que me dizem.

E tenho a impressão de que a palavra escrita traz um peso maior do que a palavra falada.

Vamos pelo exemplo mais besta de todos, o famoso “Eu te amo”. Fala-se isso por aí da mesma forma com que se pede uma coxinha na padaria, mas quando o sujeito escreve essa frase num bilhetinho, numa carta, no final da lista de compras do supermercado, ou manda como “torpedo” no celular, o impacto é diferente.

Inclusive, essa de “torpedo” de celular foi uma ótima invenção. Conheço pessoas que hoje em dia não saberiam viver mais sem as mensagenzinhas. É banal e engraçado, mas hoje em dia os pedidos de desculpas estão mais nos dedos do que nas bocas. É muito mais fácil se desculpar por mensagem do que falando. É só teclar 33728572 e está tudo certo.

Para marcar um encontro é a mesma coisa. Telefonar é muita ousadia, mandar um e-mail é muito frio, convidar ao vivo fica brega, então é só tascar um 6 783 824 32937 4653?, que a frase mágica “O que vai fazer hoje?” surge na telinha do celular da cidadã ou do cidadão desejado.

Tenho uma amiga que quase teve um infarto quando recebeu uma dessas mensagens segundos antes de acabar a bateria do dito cujo. Estava sem carregador por perto e não conseguiu responder. Andava de um lado para outro na sala dizendo coisas como “- Ele está esperando eu responder! Ele vai achar que eu não quero sair com ele! Ele vai achar que estou esnobando! Ele vai achar que eu não quero responder! Ele vai sair com outra!!!”. Perguntei porque ela não pegava o telefone normal, ligava para ele e explicava que tinha ficado sem bateria. “- Tá louco? Assim ele vai pensar que eu já quero namorar com ele! Não posso dar tanta satisfação assim...”.

Escrever é mais fácil, não tem jeito. Escrevemos o que não temos coragem de dizer. Ou escrevemos o que não saberíamos como dizer.

Este texto mesmo. Duvido que eu falaria esse monte de coisas na mesa de um bar. Não por ser difícil, mas tenho a impressão de eu não saberia colocar ordem nas idéias.

Fora que, o que se fala, está falado. Escrevendo, temos o backspace, a borracha, o triturador de papel, aquela porcaria de tinta branca corretiva que eu nunca consegui usar direito...


Carol Maluf

Nenhum comentário:

Postar um comentário