
Vou aqui me manifestar em prol da mentira. A mentira necessita ser desmistificada, reintroduzida na sociedade, retirada da marginalidade. Todos os dias somos cercados de várias delas, uma mais necessária que a outra. E mentira é como pum, todo mundo solta.
Por falar em flatulência, lembrei-me de pronto do "Eu não fui". Mentira comum quando o odor se mostra mais forte do que imaginávamos.
"Eu te amo". Essa normalmente é mentira e poderia ser substituída por "Quero o seu corpo" ou "Vamos para a cama?". Pior quando é dita com sinceridade, quando não é mentira. Os dissabores futuros serão bem maiores do que se fosse uma mentirinha.
"Estava em uma reunião, querida". A prezada e ludibriada leitora já deve ter ouvido esta.
"Hoje não, estou com dor de cabeça". O prezado e desprezado leitor já deve ter ouvido esta também.
As mentiras colaboram para que nós tenhamos uma vida mais amena, suportável. Duvido que alguém consiga ficar um dia apenas sem falar uma mentirinha. Assistiram ao filme "O Mentiroso"? Tá certo que o personagem de Jim Carrey exagerava, mas mesmo assim é difícil.
"Você acha que eu estou gorda?". Esta pergunta está para a mentira como a faísca está para a pólvora. Assim como "Tem um trocado, tio?" ou "Filha, você é virgem?".
Quando a mentira é aceita, escrita e impressa chama-se romance. Quando passa na televisão chama-se novela. Inclusive, por falar em televisão, de vez em quando aparecem na tela uns sujeitos de terno e gravata, que quando começam com "- No meu governo..." é bom se preparar, porque vem mentira da braba.
Não pense o leitor que sou imoral, amoral ou não tenho ética, esclareço que só sou a favor dessas mentirinhas cotidianas, que não fazem mal a ninguém. Aquelas mentiras cabeludas, que prejudicam, caluniam, difamam e injuriam terceiros eu não gosto não. Daqueles loroteiros que inventam mil histórias (eu gostava de usar estória) e acham que estão abafando e enganando a todos, eu também não gosto. Fica feio.
"O trânsito estava horrível!" com certeza é a primeira mentira que se conta em uma reunião quando se chega atrasado. "Foi muito produtiva" talvez seja a última.
De vez em quando até induzimos alguém a mentir. Quem nunca disse, ao ouvir o telefone, um "- Se for tal pessoa, diga que eu não estou". Você já fez isso que eu sei.
No mais, os leitores e leitoras que aqui desperdiçam seu tempo, podem se despreocupar, porque nunca escreverei nenhuma mentira. Meu compromisso é de entreter com a verdade. Se por acaso algum de vocês me pegar contando uma mentira, prometo que nunca mais escrevo.
Claro que esta promessa é mentira. Mas eu sou sincera.
By Carol Maluf
Muito interessante e VERDADEIRA a sua crônica Nina.
ResponderExcluirMuito intrigante a forma como mentimos hoje, mentimos tanto que nem percebemos(inclui todos os tipos de mentiras, desde as mais cabeludas às cotidianas...)Um dilema que como seres humanos, não temos forças de evitar, ou simpesmente não temos vergonha na cara...rsrsrs...Principalmente os engravatados que mentem descaradamente...
Vou parando por aqui...Té mais...