E aquela impressão de que sempre existe alguém me espiando por detrás da cortina não passa.
Às vezes, uma cortina branca, o que me dá a impressão de quem está atrás dela seja de paz. Ou nem necessariamente de paz, mas de tranqüilidade, se é que isso existe.
Outras vezes a cortina é azul, e promete que os olhos que não aparecem me darão alguma segurança. E eu acredito, mesmo não vendo os olhos ali escondidos.
Quando a cortina é verde fico imaginando se realmente a pessoa que está ali irá plantar algo bom. Cortinas verdes me assustam um pouco.
Cortinas beges me dão a sensação de, quem quer que esteja ali atrás, me será de alguma forma familiar. Não faço idéia de onde tirei a relação do bege com coisas familiares. Não entendo essas coisas de cromoterapia, influência das cores e o que diabos isso significa na minha vida. Quem vê as cortinas sou eu. Imagino quem está atrás delas da maneira que eu achar melhor.
Cortinas marrons são de mau presságio. Imagino-a ali atrás, com olhar soturno, as mãos próximas ao queixo, mantendo apenas uma pequena fresta para me espiar com olhos amarelos. Talvez porque marrom e amarelo fazem uma combinação estúpida.
Ao contrário de quando a cortina é negra. Fico curioso em abrir cortinas negras. Embora eu nunca tenha aberto nenhuma, as negras têm um ar de mistério. Ela, ali atrás pode apenas estar brincando, com o sorriso aberto, escondida com o corpo ereto e grudada à parede para não fazer volume na cortina, mas sabendo que eu estou vendo e pronta para dar um grito de susto e sair correndo às gargalhadas quando eu escancarar a cortina de repente.
Cortinas vermelhas caem no chavão. Olhos felinos e lascivos usando a cortina para esconder o corpo quase nu, a me fazer imaginar cenas tórridas ali detrás. Convidando para fazer a cortina se desprender do teto e se tornar um lençol.
Às cortinas amarelas, minhas desculpas. Nunca imaginei ninguém me espiando por detrás de uma cortina amarela.
Mas eu não vou abrir nenhuma delas. Não mais.
As lembranças de escancarar uma cortina com avidez e não encontrar nada além de uma janela ou uma parede me desmotivam.
Então, quem quer que esteja ali atrás, por favor se descortine, se mostre, recue as cortinas aos batentes.
Cortinas transparentes não servem. Tem que abrir, escancarar, que então eu me levanto do sofá de braços abertos e deixo o sol entrar.
BY Nina Maluf..
se quiser ouvir a verdade fique a vontade!
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